27.5.08
Descredibilização a alta velocidade
Manuela Ferreira Leite falou verdade quando afirmou desconhecer os dossiês do TGV? Ler aqui.
Grande lata
Pergunta Nogueira Leite, muito indignado: "Por que é que o Governo não paga o que deve?"
Por que é que, enquanto Secretário de Estado do Orçamento do Governo de Guterres, Nogueira Leite não aproveitou essa oportunidade irrepetível para pôr o Estado a pagar o que devia?
Por que é que, enquanto Secretário de Estado do Orçamento do Governo de Guterres, Nogueira Leite não aproveitou essa oportunidade irrepetível para pôr o Estado a pagar o que devia?
26.5.08
O quê?
No Prós e Contras discute-se, como de costume, não se sabe bem o quê.
Nos dez minutos em que estive a assistir debateu-se se a indústria portuguesa foi ou não aniquilada, se há ou não especulação com os preços do petróleo, se a segurança social foi ou não reformada, se temos ou não condições para resistir à crise internacional, se é preciso ou não rever as leis laborais e por aí fora.
Muito bem disposta, a moderadora anuncia que depois do intervalo se esclarecerá se a reforma da administração pública foi ou não suficiente.
Ora então muito boa noite.
Nos dez minutos em que estive a assistir debateu-se se a indústria portuguesa foi ou não aniquilada, se há ou não especulação com os preços do petróleo, se a segurança social foi ou não reformada, se temos ou não condições para resistir à crise internacional, se é preciso ou não rever as leis laborais e por aí fora.
Muito bem disposta, a moderadora anuncia que depois do intervalo se esclarecerá se a reforma da administração pública foi ou não suficiente.
Ora então muito boa noite.
Lindo serviço

Passive Aggressive Notes é uma ideia fabulosa: um blogue que colecciona as mensagens escritas mais variadas, do irritado ao absurdo, do neurótico ao burlesco, do terno ao pedagógico, registos instantâneos de pequenos e grandes dramas quotidianos. A foto acima foi de lá extraída.
Correcção
Ontem, citei aqui uma declaração atribuída pelo Mar Salgado a Luís Pedro Nunes. Hoje, o próprio corrigiu as afirmações que lhe foram imputadas num email que me enviou:
Mal citado, contudoA ter sido assim - não assisti ao programa - é claro que faz toda a diferença, pelo que lamento ter reproduzido palavras que afinal não terão sido ditas.
1- Não sou jornalista do Público há dez anos
2- Disse "garoto propaganda" e não de "programa", como foi escrito
Parece-me que faz toda a diferença, não?
Investir em ilusões
Basílio Horta e Manuel Pinho reagiram prontamente à notícia da quebra drástica do investimento estrangeiro em 2007 anunciando hoje que a Renault vai fazer novos investimentos na fábrica de Cacia.
Mas não adiantam valores. E asseguram que a coisa é já para este ano. Dois indícios seguros de que se trata de coisa de pouca monta.
Isto é para iludir quem?
Mas não adiantam valores. E asseguram que a coisa é já para este ano. Dois indícios seguros de que se trata de coisa de pouca monta.
Isto é para iludir quem?
Conselheiro Acácio
Pergunta o Público de domingo aos quatro candidatos à Presidência do PSD: "O problema orçamental está ultrapassado ou serão necessárias medidas adicionais de controlo da despesa? Quais?"
Responde Manuela Ferreira Leite:
Outra coisa: Patinha Antão apresenta-se como deputado, Passos Coelho como gestor, Santana como deputado e Ferreira Leite como conselheira de Estado. É essa a sua principal actividade profissional: conselheira de Estado? Tem piada, estava convencido de que ela é administradora não-executiva do Santander Totta...
Responde Manuela Ferreira Leite:
"O problema está ultrapassado com base fundamentalmente nas receitas e não na despesa. Serão com certeza necessárias medidas de controlo de despesa para dar margem a poderem reduzir-se os impostos."É notável que Ferreira Leite se tenha esquecido de responder à segunda parte da pergunta: "Quais?", que era o que verdadeiramente interessava.
Outra coisa: Patinha Antão apresenta-se como deputado, Passos Coelho como gestor, Santana como deputado e Ferreira Leite como conselheira de Estado. É essa a sua principal actividade profissional: conselheira de Estado? Tem piada, estava convencido de que ela é administradora não-executiva do Santander Totta...
O problema dos pobres é falta de dinheiro, não falta de combustível
Escreve o economista Robert Frank, criticando a proposta de McCain e Hillary de uma redução temporária do imposto sobre os combustíveis como forma de aliviar as dificuldades do povo americano:
Of course, when millions of voters feel the pinch of rapidly rising prices, politicians find it hard to stand idly by. But as the late economist Abba Lerner once remarked, the main problem confronting the poor is that they have too little money. The best solution is not to reduce the prices they pay, but rather to bolster their incomes — for example, by selectively reducing the payroll tax for low-income workers or increasing the Earned Income Tax Credit.Traduzindo para português: em vez de subsidiar, genérica ou selectivamente, o preço dos combustíveis, o nosso governo deveria antes, caso para tal tenha condições, baixar os impostos socialmente mais injustos, a começar pelo IVA.
25.5.08
Frase da semana
Declaração reproduzida pelo Filipe Nunes Vicente:
Luís Pedro Nunes, jornalista do Público, acaba de dizer o seguinte (no programa "Eixo do Mal" da SIC-N): Quando as empresas portuguesas vão negociar ao estrangeiro, levam "um garoto de programa" que é o José Sócrates. É para correr no calçadão. Dizem assim: "Ó Zé, corre aí! " E ele corre.Decididamente, não há, em certos quadrantes, limites para a grosseria.
Willie Dixon: The Seventh Son
Dia da asneira
A publicação mensal dos indicadores coincidentes de conjuntura do Banco de Portugal é sempre pretexto para os comentários mais disparatados na imprensa, como aqui faz notar o A Pente Fino.
Com que direito se arrogam certos jornalistas económicos analisar informações estatísticas que nem sequer entendem? Talvez fosse boa ideia o Banco de Portugal organizar um curso relâmpago de um dia para ensinar-lhes-á o bê-á-bá sobre o tema.
Com que direito se arrogam certos jornalistas económicos analisar informações estatísticas que nem sequer entendem? Talvez fosse boa ideia o Banco de Portugal organizar um curso relâmpago de um dia para ensinar-lhes-á o bê-á-bá sobre o tema.
Ricos e pobres
O Público de hoje opina (com destaque na primeira página) que o crescimento das lojas discount e das marcas próprias dos retalhistas em Portugal se deve ao agravamento da situação económica das famílias.
Se essa inferência fosse legítima, os EUA e a Alemanha seriam os países mais pobres do Mundo.
Se essa inferência fosse legítima, os EUA e a Alemanha seriam os países mais pobres do Mundo.
22.5.08
Georgie Fame: The Seventh Son
Conselheiro Acácio
O Público perguntou aos candidatos à liderança do PSD: "Portugal atravessa, há vários anos, um período de fraco crescimento económico. Quais as três principais medidas que propõe para inverter esta situação?" Eis a resposta de Manuela Ferreira Leite, reproduzida ontem naquele jornal:
"Não é um problema de medidas, é um problema de políticas. As políticas são conhecidas e são óbvias em relação àquilo que fomenta o crescimento económico. As medidas só são susceptíveis, quando têm efeitos, se inseridas no contexto global da situação económica do momento. Não creio que honestamente alguém possa responder a uma pergunta destas, porque, neste momento, ninguém é capaz de prever qual é o cenário macroeconómico de 2009. Com todas as [sic] imponderáveis que existem, não é possível, com correcção, dizer-se que medidas é que na altura sejam adequadas para executar a política que nesse momento é necessária."
"Não é um problema de medidas, é um problema de políticas. As políticas são conhecidas e são óbvias em relação àquilo que fomenta o crescimento económico. As medidas só são susceptíveis, quando têm efeitos, se inseridas no contexto global da situação económica do momento. Não creio que honestamente alguém possa responder a uma pergunta destas, porque, neste momento, ninguém é capaz de prever qual é o cenário macroeconómico de 2009. Com todas as [sic] imponderáveis que existem, não é possível, com correcção, dizer-se que medidas é que na altura sejam adequadas para executar a política que nesse momento é necessária."
21.5.08
Nova previsão
Esqueçam as previsões da OCDE, do FMI, da União Europeia, do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças.
Estou em condições de adiantar - e notem que não cobro nada por isso - que a economia portuguesa crescerá em 2008 entre 1,8 e 2,2%.
Aposto uma mini e uma sandes de torresmos. Se houver novidade eu aviso.
Estou em condições de adiantar - e notem que não cobro nada por isso - que a economia portuguesa crescerá em 2008 entre 1,8 e 2,2%.
Aposto uma mini e uma sandes de torresmos. Se houver novidade eu aviso.
Fazer bem o nosso trabalho (3)
Há dias, escrevi aqui:
Sei agora, depois de ler este post do Câmara Corporativa, que eu estava absolutamente certo: os dados do 1º trimestre deste ano são mesmo um outlier, por razões que aí se explicam e que, inacreditavelmente, ninguém notara até aqui.
A triste conclusão é que nem o INE, nem os jornalistas económicos, nem os economistas, nem os políticos fazem bem o seu trabalho.
Aparentemente os únicos sujeitos competentes no meio disto tudo são os profetas da desgraça. Mas é claro que o trabalho deles é mais fácil, não é verdade?
Olhando para os gráficos [da Síntese da Conjuntura do INE], o período [1º trimestre de 2008] até parece um outlier só explicável por causas especiais, não podendo descartar-se a hipótese de, após um ajustamento brusco, as coisas regressarem em seguida à normalidade.Pareceu-me a mim na altura que esta ideia ocorreria a qualquer pessoa habituada a analisar séries estatísticas.
Sei agora, depois de ler este post do Câmara Corporativa, que eu estava absolutamente certo: os dados do 1º trimestre deste ano são mesmo um outlier, por razões que aí se explicam e que, inacreditavelmente, ninguém notara até aqui.
A triste conclusão é que nem o INE, nem os jornalistas económicos, nem os economistas, nem os políticos fazem bem o seu trabalho.
Aparentemente os únicos sujeitos competentes no meio disto tudo são os profetas da desgraça. Mas é claro que o trabalho deles é mais fácil, não é verdade?
20.5.08
Rauschenberg.
Acudam!
Estão a entrevistar um doido na SIC-Notícias.
Parece que fala em sonhos com Sá Carneiro e que tem obra espalhada por todo o país, de Lisboa à Figueira da Foz.
Está agora a dizer que o país tem que manter a lucidez. Que Deus o oiça!
Não lhe puxem pela língua, que é uma maçada...
Parece que fala em sonhos com Sá Carneiro e que tem obra espalhada por todo o país, de Lisboa à Figueira da Foz.
Está agora a dizer que o país tem que manter a lucidez. Que Deus o oiça!
Não lhe puxem pela língua, que é uma maçada...
Contra a filosofia tablóide
Há por aí agora uns conferencistas de feira que se empenham em arrebanhar grandes e néscias audiências atiçando os preconceitos do homem da rua contra qualquer pensamento um poucochinho mais complexo.
O João Galamba escreveu hoje um post muito oportuno sobre este tema no Cinco Dias.
O João Galamba escreveu hoje um post muito oportuno sobre este tema no Cinco Dias.
Fazer bem o nosso trabalho (2)
Na abertura do Jornal da Noite de ontem da SIC-Notícias, Mário Crespo anunciou que, confrontado com a baixa do investimento estrangeiro em 2007, o Presidente da República defendera que Portugal deveria tornar-se fiscalmente mais competitivo.
Escutadas as declarações do Presidente da República, verifica-se que ele não disse nada disso.
Escutadas as declarações do Presidente da República, verifica-se que ele não disse nada disso.